Zagueiro do São José fará boletim de ocorrência contra racismo de torcedor do Novo Hamburgo

Wagner (foto divulgação)

Wagner (foto divulgação)

 

O zagueiro Wagner, do São José, fará boletim de ocorrência hoje contra o torcedor do Novo Hamburgo que o xingou com insultos racistas na partida entre os dois times no sábado passado, no Estádio do Vale. O jogador alega ter sido chamado de “macaco” por um homem que estava em um caminhão de som do lado da torcida da casa.

Aos 27 anos, o jogador já perdeu a conta de quantas vezes ouviu esse tipo de ofensa. Mas o último foi o que mais lhe machucou:

— Sou bem resolvido, por isso às vezes entra por um ouvido e sai pelo outro. Mas desta vez não podia deixar passar. Ele falou com convicção aquela coisa nojenta. Minha família estava no estádio. Foi um desrespeito também aos jogadores negros do Novo Hamburgo — diz Wagner.

A partir da denúncia, a polícia deverá investigar o caso. Até agora, tanto São José quanto Novo Hamburgo escreveram notas de repúdio ao ato.

O Novo Hamburgo escreveu que “lamenta e repudia o ato de racismo” e informa que o “departamento jurídico está tomando todas as medidas possíveis para que os envolvidos neste episódio sejam identificados”, e, se for provado o fato, tomará as medidas cabíveis. O clube diz ainda que “vários exemplos de união e irmandade ocorreram por meio do esporte, e quer que o Estádio do Vale siga um ambiente familiar e livre de qualquer preconceito”.

          Saiba mais: “Zagueiro do São José denuncia injúria racial após jogo com Novo Hamburgo”

O São José condenou “veementemente os episódios de racismo durante praticamente todo o segundo tempo da partida, e de forma mais agressiva e visível ao final do jogo”. Para o Zeca, “é inaceitável que situações como essa ainda se repitam e infelizmente não sejam incomuns em estádios de futebol e em outros ambientes de uma sociedade que se espera civilizada”.

Segundo o Observatório da Discriminação Racial do Futebol, já são mais de 20 denúncias sobre racismo no esporte brasileiro em 2017. A organização lançou a “Cartilha – Dimensões do Racismo”, que tem como objetivo um trabalho de conscientização com o público mais jovem. “Acreditamos no esporte como um importante instrumento de inclusão social e de luta contra a violência e a discriminação. Precisamos entender e conscientizar que o racismo não é brincadeirinha, polêmica, mimimi, mal entendido. Racismo é crime” diz a nota do Observatório.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 2014 e 2015, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: GloboEsporte

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