Vice faz acusações a Campello e promete registrar queixa; presidente se defende

Alexandre Campello no dia da posse entre Roberto Monteiro e Elói Ferreira (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

São Januário viveu nesta quinta-feira mais um dia de turbulência. Não teve nova foto polêmica em rede social, mas os bastidores do conturbado ambiente político do clube ferveram novamente. O vice geral Elói Ferreira teve a fechadura da sala que ocupava trocada, a placa com seu nome retirada e se revoltou. Em ligação telefônica, bateu boca com Alexandre Campello e está decidido a prestar queixa contra o mandatário por racismo nesta sexta-feira.

Para Elói, o fato de a 2ª vice Sonia Maria Andrade dos Santos e o vice jurídico Rogério Peres Fernandes, que não são negros, não terem sido retirados de suas salas, demonstra um “componente de racismo”. Elói Ferreira acumulava a vice-presidência de Relações Especializadas, cargo que entregou junto com outros vices.

– Estou muito ofendido. O gesto de trocar a fechadura, tirar minha placa de vice-presidente e me expulsar, vejo que há um componente de racismo. É grave. A 2ª vice não precisou sair, nem o vice jurídico. Isso macula a história do Vasco, que sempre combateu o racismo. Péssimo este gesto do Campello, o deixa mais na berlinda. Deixa o clube uma praça de guerra. Como não retirou os outros que não são negros, ele tem que se explicar. Acho que existe este componente do racismo. Me disse “vá ficar com os seus”. Não sei o que é isso. Por isso, vou fazer a comunicação para que ele seja chamado a responder. O Vasco não pode ter este tipo de prática – disse ao GloboEsporte.com.

Alexandre Campello negou a acusação de racismo e disse que a sala antes ocupada por Elói é para o vice de Relações Especializadas, que ele não ocupa mais. O presidente afirmou também que disponibilizou outro local, mas que o vice geral não quis olhar. Campello acredita que o grupo político, agora opositor, está disposto a “inventar histórias para me difamar e desgastar a imagem do clube”.

Confira a íntegra da resposta de Alexandre Campello:

“Para começar, eu sempre tive um grande respeito pelo Elói Ferreira, prova disso é tê-lo escolhido como meu primeiro Vice- Presidente. Continuarei a respeitá-lo sempre.

Me entristece o fato de que ele insista em me atacar e à minha gestão, da qual ele fazia parte, com fatos tão distorcidos. O Vasco tem problemas muito maiores com que se preocupar, como todos sabem. Mas, vamos aos fatos: a sala em questão sempre foi e continuará sendo ocupada pela pessoa que atua como Vice-Presidente de Relações Especializadas, cargo do qual ele se exonerou. Um novo VP – João Ernesto – desta pasta já foi anunciado, e essa sala, que fica dentro do Centro de Memória, agora será ocupada por ele.

Neste contexto, solicitamos ao Elói, como 1o Vice-Presidente, que ocupasse uma outra sala. Tive, inclusive, a preocupação de encontrar um local adequado para ele, que se negou ir. Então tomou a decisão de fazer uma acusação descabida de racismo contra mim. Afirmo que isso não procede.

Considero mais uma tentativa de ataque gratuito de um membro do grupo que desembarcou da nossa gestão e que agora se concentra em inventar histórias para me difamar e desgastar a imagem do Club.”

O vice geral contou também que havia dado uma cópia da sala para o presidente do Conselho dos Beneméritos, Eurico Miranda, que a usava para guardar documentos. Eurico só conseguiu entrar na sala nesta quinta depois de mobilizar funcionários em busca de alguém que tivesse a nova chave para abrir.

Elói Ferreira é ligado ao grupo Identidade Vasco, que tem como líder o presidente do Conselho Deliberativo, Roberto Monteiro, que rompeu sua aliança com Campello recentemente. Elói é ex-ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial no governo Lula e foi signatário do Estatuto da Igualdade Racial.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: GloboEsporte

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