Somos torcedoras Somos Mulheres, as artimanhas do machismo no futebol

foto reprodução

Não foi a primeira vez e certamente não será a última que somos ofendidas nos comentários das postagens. São xingamentos e insultos, entre outras ofensas, devido ao posicionamento ou opinião da setorista. Apesar de lamentável, este comportamento é corrente nas redes sociais. Em se tratando de futebol, a emoção, paixão e fanatismo ao clube misturam-se com misoginia, racismo e violência, dando contornos extremamente destrutivos.

Pensando especificamente no blog A Bola que Pariu, nos chama a atenção que as agressões digitais em sua maioria nos identificam como homens e, obviamente, tal identificação pode remeter a diversificadas reflexões: que a rapidez da internet não permite que as pessoas leiam o corpo do texto, se atentando somente à chamada, ou que na raiva não se pense muito no que digitar.

Todavia, a reflexão que nos interessa neste momento refere-se à configuração do machismo na sociedade brasileira, ramificada em todos os espaços cotidianos, que reforçam os papeis sociais previamente estabelecidos e, dia após dia, nos grita aos ouvidos aonde devemos estar, como devemos nos vestir, que modos devemos ter.

Neste sentido, mesmo o real nos dando provas do contrário, definitivamente a mulher não é reconhecida no futebol, seja como jogadora, jornalista, torcedora, bandeirinha e etc. Independente da raiva e/ou discordância com a setorista, o preconceito corre nas teclas afoitas e de pronto escancara-se o machismo, pois a pessoa que agride identifica a vítima como sendo necessariamente do gênero masculino.

Antes que digam, não desejamos ser agredidas no gênero que nos identificamos, a questão definitivamente não é esta. Queremos tão somente dizer que somos um blog especializado em futebol, com setoristas MULHERES de vários times, que ocupam não só a rede mundial, mas as arquibancadas deste mundo afora e que estamos presentes na vida dos clubes e na vida do futebol, seja ele callejero, de várzea, moderno, internacional.

A Bola que Pariu é um espaço que cultua a liberdade e o direito ao grito e configura-se como local privilegiado das diversas mulheres que desejam, a partir dos seus textos, expressar sua torcida ao clube de coração e sua dedicação a este esporte tão apaixonante.

Expressamos, portanto, que Sim, Somos Mulheres, dispostas a virar e revirar este espaço tão identificado com o masculino.

    Por Roberta Pereira

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 2014 e 2015, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: ABolaQuePariu

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