Seleção da França de 2018 é mais multirracial do que a de 1998: “Temos orgulho disso”, diz torcedor

Torcedores se concentram nas imediações de Hôtel de Ville, onde será a “fan fest” francesa para a semifinal contra a Bélgica
Rodrigo Oliveira / Agência RBS

Antes do histórico título mundial da França na Copa de 1998, o líder de extrema-direita Jean-Marie Le Pen gerou polêmica ao dizer que aquela equipe era “artificial”, devido à alta quantidade de jogadores com origem em outros países, principalmente na África.

Vinte anos depois, a seleção francesa chega às semifinais do Mundial da Rússia — a partida contra a Bélgica ocorre nesta terça-feira (10), às 15h — com um time ainda mais multirracial. E o preconceito, aparentemente, diminuiu.

— Eu acho que existe uma evolução de comportamento. Não vemos mais essa reclamação ou esse tipo de posicionamento (racista). Existem mais negros que brancos na seleção francesa hoje, e isso não tem sido um problema. O Mbappé é negro e é o melhor jogador do time até agora, e eles estão festejando isso — afirma o jornalista Alexandre Oliveira, correspondente da Rede Globo em Paris.

A equipe atual possui três jogadores que nasceram fora da França: o goleiro congolês Mandanda, o zagueiro camaronês Umtiti e o meia Lemar, da ilha caribenha de Guadalupe.

Além disso, 12 atletas possuem origens africanas, como Sidibé e Kanté (Mali), Kimpembe, Matuidi e N’Zonzi (República Democrática do Congo), Rami (Marrocos), Pogba (Guiné), Mbappé (Camarões), Fekir (Argélia), Mendy e Dembelé (Senegal) e Tolisso (Togo), cujos pais emigraram para a França ainda antes de os atletas nascerem. Há ainda o lateral Lucas Hernández, de ascendência espanhola.

— É ótimo, sabemos que Pogba é de origem africana, e Mbappé também. Mas eles são todos da França em primeiro lugar. Temos orgulho de representar diferentes países — diz o torcedor Augustin Joane.

— Temos vários jogadores africanos, e isso é ótimo. Alguns outros países não gostam disso, mas são todos da França. Eu acho isso ótimo — completa o amigo Gaspard Peugeot.

O time de 98, por sua vez, possuía apenas quatro jogadores nascidos fora da Europa: o zagueiro ganês Desailly, o lateral Thuram, de Guadalupe*, o volante senegalês Vieira e o meia Karembeu, natural da Nova Caledônia*, ilha da Oceania.

Por outro lado, o único atleta com raízes africanas era o craque Zinedine Zidane, de pais argelinos. Havia outros sete jogadores com origens em outros países ou territórios, como Djorkaeff e Boghossian (Armênia), Pirès (Portugal), Henry e Diomède (Guadalupe), Lama (Guiana Francesa*) e Trezeguet (Argentina).

Desta vez, em 2018, com um time ainda mais multirracial, a França vai em busca do bicampeonato mundial.

*Apesar de situados fora da Europa, Guadalupe, Nova Caledônia e Guiana Francesa são territórios politicamente vinculados à França

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: GauchaZH

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