Relembre o que aconteceu de extracampo na Copa

Foto: Presidente da FIFA, Gianne Infantino, ao lado do presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Crédito: Reprodução/Facebook Oficial de Vladimir Putin

A Copa do Mundo ainda está na fase semifinal. Porém, o extracampo já está recheado de acontecimentos, deixando reflexões no âmbito cultural, social e político. Por conta disso, o Time do Tas compilou algumas destas histórias que ficaram marcadas durante a competição.

Nenhum grande evento mundial é isento de política. E a Copa da Rússia não seria diferente. Na cerimônia de abertura já houve uma polêmica. Apenas 15 nações enviaram chefes de Estado, como apontou o pesquisador e professor do Departamento de História e Relações Internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Pedro Campos.

De fato, alguns países anunciaram que iriam realizar um boicote diplomático aos anfitriões da Copa. Liderados pela Inglaterra, participaram também Alemanha, França, Espanha, Suécia, Croácia, Dinamarca, Polônia, Islândia e Austrália. Sendo que os franceses anunciaram recentemente que o presidente Emmanuel Macron vai quebrar o boicote para acompanhar a semifinal entre França e Bélgica.

Para o setorista da FIFA, Jamil Chade, em entrevista ao podcast do Time do Tas, a Copa do Mundo está sendo a oportunidade do governo de Vladimir Putin demonstrar sua força.

“Esse não é apenas um evento esportivo para a Rússia. É a forma como Putin encontra para passar ao mundo que, apesar dos embargos, apesar dos problemas com o Ocidente, apesar da pressão que existe da OTAN, da União Européia, do Estados Unidos em relação à Rússia, o país vai muito bem, obrigado”, explicou o jornalista.

Nas ruas, o governo russo tem utilizado aparatos militares para controlar a segurança. Assim conseguiu contornar os problemas com os hoolingans, que vinham afligindo o país há décadas, e evitar confrontos entre torcidas ultranacionalistas. Contudo, ainda há denúncias de racismo, machismo e homofobia por parte do próprio Estado.

          Machismo

No Brasil, um dos casos que mais chamaram a atenção foram os torcedores brasileiros flagrados realizando atos machistas. Nas redes sociais, viralizaram vídeos em que viajantes se aproveitaram das diferenças linguísticas para fazer moças russas repetirem palavras e expressões de baixo calão.

Estes acontecimentos geraram um grande debate sobre o machismo. Principalmente por tratar-se de um evento onde cerca de 90% do público é homem.

E, mesmo assim, não se precisou de muito esforço para o Time do Tas presenciar novos casos de assédio à mulheres. Para a jurista russa, Alyona Popova, a Rússia não fez nada para evitar que este tipo de crime acontecesse novamente.

Contudo, o Mundial não ficou marcado apenas por “derrotas” para o público feminino. As torcedoras iranianas desafiaram as leis do país e foram à Rússia acompanhar a Copa. De acordo com a legislação da nação de origem persa, as mulheres não podem assistir a partidas de futebol.

A repercussão mundial dos protestos durante a partida contra o Marrocos foi tão grande que o governo do Irã decidiu liberar o acesso das mulheres ao estádio Azadi, na capital Teerã. Onde o jogo contra a Espanha foi transmitido em um telão. Esta foi a primeira vez que mulheres puderam entrar em um estádio para jogos masculinos desde 1979.

           Racismo e xenofobia

No Mundial, houveram dois casos de racismo e xenofobia envolvendo atletas. O primeiro deles ocorreu com o sueco Jimmy Durmaz. Filho de imigrantes assírios, o meia recebeu, através das redes sociais, comentários xenófobos e ameaças de morte após cometer a falta que originou o gol da vitória da Alemanha.

Em resposta, Durmaz protagonizou um vídeo divulgado pela Federação Sueca, onde o jogador lê uma mensagem que recrimina o preconceito.

“Eu gostaria de dizer algumas coisas sobre o que aconteceu depois do jogo. Eu sou um jogador do mais alto nível e tenho que aceitar que serei criticado pelo que faço em campo. Isso é parte do trabalho e sempre vou aceitar. Mas há limites e, ontem (sábado), passaram dos limites”, disse Durmaz no vídeo.

Outro jogador a sofrer com ataques racistas na internet foi o brasileiro Fernandinho. As ofensas sobraram até mesmo para a família do volante. Por conta disso, o atleta chegou a desativar o comentário em suas páginas oficiais.

Na contramão disso está o técnico da Seleção do Senegal, Aliou Cissé, que conferiu um exemplo de representatividade no Torneio. O senegalês era o único negro entre os 32 treinadores da competição.

“É uma realidade dolorosa (ser o único negro entre os treinadores), que me incomoda. Acredito que o futebol é universal e que a cor da pele tem pouca importância no jogo”, analisou Cissé, antes mesmo do início do Mundial.

Desde então, o treinador dos Leões tem levantado uma discussão à respeito da dificuldade de se encontrar técnicos negros no mundo do futebol. O que, segundo alguns historiadores, se deve ao passado escravocrata e o racismo estrutural por parte da sociedade.

          Provocações entre nações

A Copa do Mundo também tem se caracterizado pelas rixas entre diferentes países. Além do supracitado boicote, algumas delegações e jogadores aproveitaram a visibilidade do Mundial para ‘alfinetar’ adversários políticos.

Um dos exemplos, como lembra o professor Pedro Campos, foi a delegação egípcio. O Egito não possui boas relações com a Rússia e, em retaliação, escolheu treinar na Chechênia. Região separatista e de maioria muçulmana.

Outro caso claro de provocação entre países partiu de dois atletas. Na vitória da Suíça sobre a Sérvia por 2 a 1, os autores dos gols, Xhaka e Shaqiri, comemoram fazendo com as mãos o gesto da Águia de Duas Cabeças, símbolo nacional da “Grande Albânia“. A dupla é de origem kosovar e os sérvios não reconhecem a independência do Kosovo.

Os atletas chegaram a correr o risco de serem suspensos durante o Mundial. Mas a FIFA optou por multá-los em dez mil francos-suíços cada por ter “apoiado comportamento contrário aos princípios do fair play“. O curioso é que kosovares ofereceram uma “vaquinha” para ajudar a pagar a multa dos jogadores da Seleção Suíça.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: Torcedores.com

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