Relatório anual no combate ao racismo é lançado

No último sábado, 21/03, foi o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial e o Observatório da Discriminação Racial no Futebol lançou seu primeiro Relatório Anual da Discriminação no Futebol, um importante documento com informações e análise dos incidentes de racismo que aconteceram no futebol brasileiro em 2014.

A ideia de criação do Observatório surgiu após os inúmeros casos de racismo que aconteceram no Brasil em março do ano passado, com o objetivo de monitorar e acompanhar os incidentes discriminatórios acontecidos nos estádios de futebol. Não acreditávamos que os casos fossem fatos isolados, mas sim um problema sistêmico, e desta forma passamos a acompanhar, através do noticiário na imprensa cada novo fato e seu desdobramento.

O racismo no Brasil é crime previsto pela Constituição Federal, nos termos do Artigo 5º, Inciso XLII. “A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”, assim como também é previsto no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). No entanto, não impediu que ao longo de 2014 diversas manifestações abertas de racismo se multiplicassem nos estádios do país.

De posse dos dados apresentados no relatório, podemos apontar que a falta de punição mais rígida é o principal motivo para que os casos se repitam. E aqui podemos apontar que todos os atores do futebol tem sua parcela de culpa por essa infeliz realidade, os clubes e as Federações, através do seu Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), por não punirem os envolvidos de maneira clara e exemplar; os atletas insultados por não levarem o caso adiante, inclusive com queixa crime, e os torcedores que ao perceberem uma atitude de insulto não identificam o agressor e o denunciam para a polícia.

Foi possível notar ao longo do ano passado inúmeras campanhas contra o racismo nos estádios, mas poucas foram efetivas e envolveram torcedores e atletas em ações educativas. Não basta, apenas, asseverar que o racismo é crime, precisamos educar os torcedores para que entendam que o futebol não é um microcosmo da sociedade, e por ser um ambiente imerso em paixão cega vale todos os tipos de demonstrações de preconceito e ódio para desestabilizar o adversário.

O relatório aponta para uma tendência nos aumentos de denúncias dos casos de racismo, uma vez que os jogadores a partir de outros casos passam a ter mais coragem para enfrentar o problema e também por uma vigilância mais atenta por parte da imprensa, inclusive documentando os incidentes com imagens. O relatório faz uma série de recomendações visando ações que possam erradicar essa praga que tanto macula o esporte mais popular do Brasil.

Para finalizarmos, deixamos aqui um pedido para as futuras vítimas de discriminação, principalmente os jogadores, não deixem de cobrar e denunciar os agressores vocês são o exemplo para milhares de crianças desse país que ama futebol. Lutem que estaremos aqui para cobrar e acompanhar todos os casos de intolerância seja de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.

Clique aqui e confira o relatório.

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Clipagem: Relatório na Mídia

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  1. Paulo Melo

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