Preconceito: mulheres brasilienses relatam casos ocorridos no futebol

Campanha #Deixaelatrabalhar foi aderida por todas as mulheres que lutam pela democratização do esporte entre os participantes.

Reprodução/Instagram

Impulsionadas por casos lamentáveis de agressão e desrespeito durante a jornada de trabalho, jornalistas de todo o Brasil iniciaram a campanha #Deixaelatrabalhar contra o assédio e a diferenciação nos estádios. O movimento entretanto, não se restringe apenas às profissionais que lutam por respeito, mas ainda à todas as mulheres que, seja dentro das quatro linhas, nas arquibancadas ou na diretoria dos clubes atuam no futebol e lutam pela democratização do esporte entre os participantes.

Nayeri Albuquerque é presidente do Minas/Icesp, equipe que irá representar Brasília na série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino, identificado como a segunda divisão nacional. Mesmo atuando especificamente no futebol feminino, ela lamenta que isso seja reincidente. “Infelizmente, a mulher sofre assédio moral e físico em todas as áreas. Em se tratando do futebol feminino, é ruim dizer, mas sempre escutamos frases a respeito de que o futebol não é para mulher”.

Na camisa verde e azul de sua equipe é possível ver estampada a hashtag #respeitaasminas, utilizada para reforçar a luta das mulheres no esporte. “A iniciativa começou através de uma campanha que vimos em defesa da mulher. Então nos entusiasmamos com o projeto, que se encaixou perfeitamente com o nosso nome e também pela luta da defesa de que as mulheres podem estar onde elas quiserem”, relatou.

Casos reais

Dentro de campo, Chris Valeriano é árbitra auxiliar. Por um convite do irmão, ela resolveu fazer o curso de arbitragem para começar a atuar em campo. A profissional que, atua perto dos torcedores, não deixa de esconder o descontentamento com alguns torcedores. “Sempre escuto o mesmo comentário: de que lugar de mulher é na cozinha. Também me perguntam se a casa está limpa. Parece que ainda é novidade mulher no futebol. Os piores comentários sempre saem da torcida”, disse.

Chris Valeriano entre os colegas de profissão/ Foto: Reprodução/Instagram

Chris conta que com o passar dos anos aprendeu a ignorar comentários machistas e ressalta que o trabalho psicológico realizado no curso de arbitragem foi essencial para isso. “A arbitragem trabalha muito o nosso lado emocional. Não dou muita importância não e não deixo com que a ignorância de alguns afete o meu sonho, meu trabalho e meus objetivos de vida”, pontuou.

Paula Malmonge dá aula de futebol para meninos e é um exemplo de que ainda há muito preconceito nessa área. A Profissional lembra que muitos pais não aceitavam o fato de uma mulher ser a treinadora do seu filho. “Por ser mulher quando comecei a estagiar sofri muito preconceito dos pais. Alguns relutaram em aceitar meu trabalho e às vezes soltavam comentários como “pena que é uma mulher” ou “mulher não entende de futebol”, relata.

Preconceito ainda é forte

A treinadora relembra ainda que na infância também sofreu preconceito dentro de casa. “Tinha que treinar escondido porque meu pai falava que filha dele não ia jogar futebol. Na escolinha alguns professores chegaram a me diminuir e faltarem com respeito. Cheguei a pensar em desistir algumas vezes”, disse Paula Malmonge.

Malmonge lamenta que a situação ainda seja vivida pelas suas alunas. “Dentro de campo ocorrem situações complicadas. Os colegas comentam até mesmo sobre a sexualidade da meninas que curtem futebol. É como se por gostarem de praticar o esporte, gostassem de meninas”, pontuou.

Nos estádios e nas arquibancadas, a presença feminina é cada vez mais forte. Torcedoras gritam, vibram, choram e participam de cada rodada. Hapoliana Nascimento é uma delas. Apaixonada pelo Brasiliense ela é integrante da torcida organizada e conta que durante anos lutou para que fosse reconhecida. “Mostrava o motivos de estar ali. Era como se a cada ano subisse um degrau na minha luta. Hoje, eles (os outros torcedores) sabem porque participo, sabem do meu respeito pelo time”.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui.

Fonte: Jornal de Brasília

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