Pai ciumento, fã de moda e luta contra o racismo: Tudo Menos Futebol com Grafite

Grafite no Recife com dois dos quatro filhos (Foto: Eryck Gomes)

O cenário é o estádio do Arruda e as histórias são de Edinaldo Batista Libânio, ou simplesmente o atacante Grafite. Ídolo da torcida do Santa Cruz e com uma grande história no clube pernambucano, o ex-jogador da seleção brasileira recebeu a reportagem do GloboEsporte.com para o quadro Tudo Menos Futebol na cidade que escoheu para morar e onde se sente bem, Recife.

Foi na capital pernambucana que ele criou identificação com o clube coral. E também onde conheceu Greice, esposa e mãe de suas quatro filhas e um filho – com os quais o jogador se mostrou cuidadoso e até excessivamente ciumento durante a entrevista.

Grafite também revelou seu amor pelo Recife, especialmente pela praia, já que não teve contato quando criança, e falou sério quando o assunto foi o racismo. Confira abaixo e no vídeo.

          Em casa

Quando estou em casa procuro deixar um pouco o lado jogador e viver mais o lado Edinaldo, com uma vida normal. Quando estou fora de casa, a conversa acaba sempre descambando para o lado do futebol. Eu sou uma figura pública, conhecida nacionalmente por jogar futebol e é normal. Costumo sair muito para jantar. Não sou muito de ir em shopping porque é difícil. Não temos aquela privacidade de ir no cinema, alguma coisa assim. Tem sempre torcedor querendo tirar uma foto, autógrafo, vídeo. Saio para jantar pelo menos uma vez por semana com a minha esposa, até para ter um momento mais íntimo entre a gente porque em casa tem as crianças.

          Grafite pai

São quatro meninas e um menino, e a Greice vê mais esse lado familiar. Ela me dá toda essa autonomia para praticar futebol e me concentrar. Ela procura tomar conta mais dessas coisas de casa, como escola, mas sempre tem uma hora que eu preciso interagir também e estar junto. Às vezes ajudo na lição de casa porque elas ainda estão com um pouco de dificuldade. Estudavam na escola americana e agora estão numa de língua portuguesa.

          Ciúmes

Sou ciumento . Eu zelo sempre, independentemente de saber que crio os filhos para o mundo. Sabemos que não vão ser nossos para sempre, mas principalmente com as meninas eu sou ciumento com esse negócio de namoro… A Cecília tem 14 anos e ainda não namora, a Sofia tem oito anos, mas as duas mais velhas, Ana e Maria Luiza, já namoram. O namorado de Maria Luiza, que estava estudando nos Estados Unidos, foi se apresentar quando eu estava em Curitiba ainda. Ele é alemão, Peter, e quando cheguei em casa vi que ele era maior que eu, mas fui firme. Até Carlos Alberto e Paulo André falaram que no dia que o namorado dela chegasse a gente ia fazer uma reunião com ele para ele se ligar. Mas o menino é gente boa, de uma família muito correta. Rola aquele ciúme e procuro estar sempre em cima. Maria Cecília está com 14 anos e já está naquela idade de adolescência, puberdade e a gente tem um cuidado maior. Às vezes Greice pega no meu pé dizendo que sou muito ciumento, mas é normal, pai de menina e logo quatro. O pessoal fala que vou pagar meus pecados com as meninas.

          O Recife e a praia

Eu fui criado em Campo Limpo Paulista (município paulista, distante 45km da capital), longe da praia, e fui conhecer o mar com 13 ou 14 anos, no litoral paulista. Foi legal. Assusta um pouco e é fascinante. Ficamos uma semana em Praia Grande e tomei muito caldo, bebi muita água, fiquei doente. Gosto demais do Recife. Me sinto em casa e adotei como a minha primeira residência.

          Moda

Grafite chamou a atenção no estilo em sua apresentação no Santa Cruz, em 2015 (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)

Eu gosto de moda, acompanho muito. Outro dia tava no vestiário e Tiago Costa veio me perguntar se eu tinha “aquele negócio lá”. Era personal stylist. Eu não tenho, mas gosto de me vestir assim. Gosto de moda, vejo revista, fotos. Nunca me apresentei de terno e gravata, mas no dia aqui (no Santa Cruz) eu liguei para o presidente e perguntei como ia ser. Ele disse que estava desenrolando um helicóptero. E eu já imaginava em vir de terno e gravata. Eu gosto de me vestir bem, de estar atualizado em moda. Venho com camisa xadrez para o treino e falam que é festa junina. Minha esposa gosta muito de moda também tem um desejo de no futuro abrir uma loja de roupas aqui no Recife.

          Racismo

Vejo que o engajamento no Brasil é muito pouco perto do que é feito na Europa. Lá tem campanha contra o racismo na temporada toda, durante os treinamentos. Sempre entrávamos em campo com faixas e camisetas e aqui no Brasil é mais em épocas das datas de Libertação dos Escravos e Dia da Consciência Negra. Eu particularmente não sinto, mas vejo o que acontece na rua. Imagina num escritório com pessoas que não são da mídia. Às vezes não é nem o ato, um certo olhar já fala. Na Alemanha tinha muito isso do olhar. Acho que falta mais engajamento aqui no Brasil para isso. Fazem tantas coisas, mas ainda falta para o racismo. Para todos os lados. Também existe do negro para o branco. Sou negro e vejo isso. Ninguém nasce odiando ninguém por cor de pele e religião.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 2014 e 2015, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: GloboEsporte

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