“Os clubes e instituições são benevolentes com casos de racismo”.

Marcelo Carvalho, criador do Observatório do Racismo no Futebol

Fixture Arena falou com Marcelo Carvalho, diretor do Observatório de Discriminação Racial no Futebol, pessimista com o aumento do ódio nos estádios.

O Brasil é um país onde em ma noite Leandro Desábato (Quilmes) foi preso no gramado do que Morumbi depois de lançar insultos racistas a Grafite (São Paulo) durante a partida. Desabato, com cara de uma criança que ficou sem lanche, protestava contra a polícia como protesta para os árbitros, mas teve que passar alguns dias na cadeia.

Mais de uma década depois, o racismo ainda é desenfreado em todo o futebol mundial em geral, e brasileiro em particular. Marcelo Carvalho, diretor do Observatório de Discriminação Racial no Futebol, está preocupado hoje em dia porque, trabalhando no relatório de 2017, percebeu que os casos dobraram. “Dos 25 episódios de racismo no futebol brasileiro em 2016, ele aumentou para 49 casos em 2017.”

Pode ser uma forma de romper o silêncio por parte das vítimas, ou de uma maior consciência coletiva. “Agora há mais barulho nas redes sociais”, diz o diretor do Observatório a Fixture Arena. “E o que é mais importante, há mais denúncias de jogadores. Há mais atletas que têm a coragem de denunciar “.

São Paulo e River Plate, Libertadores 2016 (Foto: São Paulo F.C.)

No Observatório da Discriminação Racial, não se fala de casos mais sérios do que outros, ou eventos mais ou menos importantes. São conscientes, isso não se pode evitar, de que determinados casos têm mais repercusão na mídia do que outros. No Relatório de 2016, disponível em pdf no site, estão registrados episódios como os gestos e insultos racistas de torcedores do Nacional contra Gabriel Jesus – ainda no Palmeiras na época – em Montevidéu; os comentários racistas em redes sociais contra ao goleira da Seleção Brasileira, Bárbara, durante os Jogos Olímpicos no Rio, ou as ofensas do argentino Andrés D’Alessandro a Michel Bastos em um São Paulo vs River Plate na Copa Libertadores.

Em quase todos os episódios de racismo no futebol brasileiro há uma característica principal: a injúria acompanha largamente, entre outras coisas, porque aqueles que mandam fazem vista grossa. “Clubes e instituições são benevolentes com casos de racismo. Ninguém luta contra o racismo”, reclama Marcelo Carvalho. “Eles lidam apenas com casos de racismo que aparecem em seus clubes. Isso é quando eles tomam alguma medida. Eles reagem depois que acontece. ”

E sim, antes se deixava claro que não há diferença entre os episódios de racismo, mas Carvalho diz que há momentos em que a alma dói mais: “É difícil quando acontece em categorias mais inferiores”, ele admite. “Tivemos um caso recentemente, agora em 2018, em um torneio sub-15 no Rio Grande do Sul, onde um jogador foi ofendido racialmente. Pessoalmente, isso me entristece muito “.

2018 é o ano perfeito para fazer barulho contra o racismo que fala o diretor para ser amplificado ainda mais. Haverá uma Copa do Mundo Masculina na Rússia e uma Copa Feminina no Chile. O Observatório da Discriminação Racial no Futebol, está crescendo pouco a pouco, tentando desenvolver campanhas de conscientização entre torcedores, jogadores e dirigentes. “Fazemos o trabalho voluntário, não temos muito apoio financeiro”. Ele anuncia que ele está em negociações com o Governo Federal para lançar programas efetivos contra todo esse ódio, que infelizmente está em todos os lugares, e é por isso que é tão difícil derrubar.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui.

Fonte: Fixture Arena

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