No Brasil o futebol é o esporte mais popular, o esporte que começou a se difundir no país a partir de 1894 quando Charles Miller trouxe um jogo de uniformes e uma bola, dizem que antes dele em 1874 marinheiros ingleses se apresentaram, na praia da Glória, para a princesa Isabel. Esse futebol que nasceu amador e elitista foi se transformando ao logo do tempo. A profissionalização começa em 1916, quando foi criada a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), com apoio de Bahia, Minas Gerais, Pará, Paraná e Rio Grande do Sul. No mesmo ano, a entidade se filiou à Confederação Sulamericana de Futebol (Comembol) e à Fifa (Federação Internacional de Futebol). O esporte era ainda elitista, já que somente jogadores da alta sociedade, apenas sócios, jogavam nos clubes. O futebol foi ficando cada vez mais popular nos anos 1920, quando alguns clubes aceitaram que jogadores de classe média ou baixa, inclusive negros, atuassem por seus times. Vem daí o termo “pó-de-arroz”, produto aplicado na pele dos jogadores negros, para disfarçar sua cor.

Um passo importante para a “profissionalização” do esporte bretão nasceu do preconceito racial entre os frequentadores dos clubes. Os sócios, geralmente conservadores, não aceitavam os negros do time de futebol circulando pelos clubes e começaram a pedir que eles se tornassem funcionários, com tratamento diferenciado ao dado aos associados, inclusive usando outras portas de acesso. Surgiu, então, a ideia de pagar salários aos astros das equipes e torná-los empregados.

O Vasco foi o primeiro time a aceitar negros sistematicamente, o que levou Fluminense, Flamengo, Botafogo e América a fundarem uma liga separada, a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos), deixando o Vasco, que havia sido o campeão carioca em 1923, na LMDT (Liga Metropolitana de Desportos Terrestres).

Mas o verdadeiro pioneirismo em aceitar um jogador negro é disputado entre o Bangu, no Rio, e a Ponte Preta, de São Paulo. O Bangu, time da fábrica de tecidos Bangu, dirigido por ingleses, escalou o negro Francisco Carregal num amistoso contra o Fluminense, em 1904, e ganhou por 5 a 3.

A Ponte Preta, nascida no bairro operário do mesmo nome (o que facilitava a presença de negros), em Campinas, se gaba porém de ter escalado um “centre-half” – isto é, centro-médio – negro, de nome Miguel do Carmo, logo após a fundação da equipe, em 1900.

Se é verdade, Miguel do Carmo, nascido em 1885, três anos antes da abolição da escravatura, era ainda um adolescente.

Já o Fluminense, clube de elite, tem o curioso episódio do mulato Carlos Alberto, que passava pó de arroz no corpo para disfarçar a cor da pele.

Com o correr dos jogos, o pó de arroz escorria, revelando a impostura. Por causa de Carlos Alberto, o Fluminense ficou até hoje com o apelido de “pó de arroz”.

A segunda nação com o maior números de negros apresentou ao mundo inúmeros jogadores de futebol, dentre ele o mais conhecido é o Rei do Futebol: Edson Arantes do nascimento, o Pelé.

Essa mesma nação tem o obrigação de tratar as questões do racismo com maior severidade o que não vem acontecendo. Vivemos hoje em uma sociedade praticamente vazia de valores éticos e morais, de conceitos e de tradições e o futebol tem o dever de ser exemplo, afinal o esporte, aliado à educação, evita os jovens de serem aliciados por bandidos, proporcionando a eles um futuro diferente do de tantos outros que já se foram.

A ONU observou que o esporte, mesmo que tenha como princípio o desenvolvimento físico e da saúde, serve também para a aquisição de valores necessários para coesão social e mundial. Esporte vai muito além das disputas dentro dos estádios e ginásios. Cada vez mais cresce a sua importância como ferramenta de inclusão social.