Número de casos de assédio na Copa pode ser ‘dez vezes maior’ do que se sabe, diz órgão

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O número de casos de assédio nesta Copa do Mundo contra mulheres pode ser “dez vezes maior” do que tornou-se de conhecimento público. A estimativa foi dada nesta quarta-feira por Piara Powar, diretor-executivo da rede FARE (“Futebol Contra o Racismo na Europa”), em painel anti-discriminação organizado pela Fifa no estádio Lujniki. A FARE mantém observadores em estádios europeus e elabora relatórios sobre condutas discriminatórias para enviá-los à Fifa. Também participaram do painel o ex-jogador russo Alexei Smertin, responsável pelo departamento anti-discriminação da Federação Russa de Futebol (RFU); Federico Addiechi, chefe de sustentabilidade e diversidade da Fifa; e o ex-jogador camaronês Geremi.

Powar disse que, de maneira geral, está satisfeito com o ambiente proporcionado na Copa do Mundo. O diretor da FARE admitiu que havia preocupação, antes do torneio, de que “algumas coisas que têm acontecido no futebol russo transbordassem para a Copa do Mundo”. Segundo relatório da própria FARE, o Campeonato Russo registrou 80 incidentes discriminatórios na última temporada, o que inclui demonstrações de racismo, apologia ao nazismo e assédio provocado por torcedores.

– A população russa se portou de maneira magnífica, e não registramos problemas com russos dentro de estádios. Mas algo que nos chamou atenção, porque foi realmente significativo, foi o nível de sexismo, tanto de russas abordadas por torcedores quanto de repórteres assediadas enquanto trabalhavam – disse Powar.

Addiechi, chefe de sustentabilidade e diversidade da Fifa, esclareceu depois que foram identificados 30 incidentes com mulheres assediadas nas ruas. Um dos casos mais emblemáticos aconteceu no início da Copa, quando um grupo de brasileiros induziu uma mulher russa a gritar palavras de cunho sexual dirigidas a ela mesma, em português, aproveitando-se da barreira do idioma.

Outros 15 casos registrados pela Fifa envolveram repórteres que foram alvo de assédio ou comportamento machista durante o trabalho. A repórter Julia Guimarães, da TV Globo, foi beijada à força por um russo enquanto se preparava para entrar ao vivo.

– Provavelmente o número verdadeiro é dez vezes maior, já que vários casos não são denunciados – ponderou Powar.

O diretor da Fifa avaliou, no entanto, que o número de incidentes é “muito baixo” em relação ao número total de torcedores que estão na Rússia para o Mundial. Segundo a entidade, foram distribuídas cerca de 1,5 milhão de FAN IDs, o documento de identificação de torcedores na Copa.

– Em vários casos, graças à colaboração entre Fifa, Comitê Organizador e autoridades locais, foi possível remover as FAN IDs e até iniciar a deportação de torcedores que tiveram essa conduta. Isso não está exatamente na alçada da Fifa, já que aconteceu fora dos estádios. Soubemos através das redes sociais e creio que está tudo bem documentado. Houve alguns que até perderam o emprego – afirmou Addiechi.

– Temos que reconhecer que as redes sociais nos permitem saber mais facilmente destes casos. Mas não acho que a situação aqui, em termos de sexismo, seja diferente do que já vimos em outros lugares – concluiu.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: Extra

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