MP de Turim exclui racismo em ataque a atleta italiana

Osakue, 22 anos, é uma promessa do atletismo italiano (Reprodução/Instagram/ @daisyosakue)

O Ministério Público de Turim excluiu nesta terça-feira (31) a hipótese de racismo no ataque contra a atleta italiana Daisy Osakue, que tem origem nigeriana e foi atingida no olho por um ovo atirado de um carro em movimento.

O caso ocorreu na madrugada da última segunda-feira (30), em Moncalieri, na região metropolitana de Turim, em meio a uma onda de agressões motivadas por racismo na Itália. No entanto, o Ministério Público decidiu abrir um inquérito apenas pelo crime de “lesão”, sem “agravante racial”.

Segundo os procuradores, não há indícios que permitam cogitar neste momento a hipótese de racismo. A Arma dos Carabineiros e o governo italiano também excluem essa possibilidade. Após o ataque, a própria Osakue disse que fora atingida por ser negra.

“Eu já tinha sofrido episódios de racismo, mas apenas verbal. Quando se passa à ação, significa que se superou outra barreira”, afirmou. Ainda não se sabe quem agrediu a atleta e, por consequência, suas motivações.

Osakue, 22 anos, é tida como uma promessa do atletismo italiano e já tem a quarta melhor marca na história do país no lançamento de disco, com 59,72 metros. A jovem treina nos Estados Unidos, após ter sido convidada por uma universidade do Texas.

O caso Osakue virou cavalo de batalha da oposição, que diz que o ataque é fruto da postura do ministro do Interior Matteo Salvini, que sempre dá publicidade a crimes cometidos por imigrantes e é acusado de fomentar o ódio contra estrangeiros.

Salvini, no entanto, rebate as acusações e afirma que é uma “bobagem” dizer que há uma “emergência de racismo” na Itália. Outro caso notório é o de um marroquino que foi perseguido até a morte por dois italianos que o acusavam de roubo, em Aprilia.

O imigrante fugia de carro, mas bateu em uma mureta e foi agredido após descer do automóvel. A autópsia ainda vai determinar as causas exatas da morte, mas os dois italianos negam racismo e dizem que o marroquino tentara atropelá-los.

“Dizem que não há racismo no que ocorreu [com Osakue] e o ministro do Interior quis liquidar como ‘bobagens’ os alarmes daqueles que denunciam o clima xenófobo e os riscos de escalada racista. Pese bem as palavras, olhe a realidade e escute também outras vozes da direita italiana. Negar a evidência de diversos episódios absolve e aumenta o monstro”, afirmou Marco Tarquinio, diretor do “Avvenire”, principal jornal católico da Itália.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui.

Fonte: R7

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