Jogadores de clube uruguaio assinam manifesto contra o preconceito nos estádios

Albion Football Club (foto reprodução)

Albion Football Club (foto reprodução)

O Albion Football Club é um pioneiro no Uruguai. Foi a primeira agremiação surgida no país a se dedicar exclusivamente ao futebol, fundado em 1891 por um discípulo de William Leslie Poole, o professor de literatura responsável por introduzir a modalidade entre os charruas. A equipe passa longe das glórias desde os tempos amadores e, nas últimas décadas, se manteve nas divisões inferiores do campeonato nacional. Ainda assim, permanece como um clube de vanguarda, ao menos para levantar a sua voz contra o preconceito e a discriminação que acontece dentro dos estádios de futebol.

No último final de semana, o Albion fez um duelo de times históricos pela terceirona, contra o Bella Vista – campeão nacional em 1990 e onde se consagrou José Nasazzi, o lendário capitão celeste na Copa do Mundo de 1930. Partida sugestiva até mesmo pelo local onde aconteceu, o Estádio Obdulio Varela, nomeado em homenagem a outro capitão histórico dos charruas. Contudo, apesar da vitória emocionante do Albion por 3 a 2, que recolocou o time na liderança do campeonato, “insultos racistas, machistas e homofóbicos” se ouviram entre ambas as torcidas.

CartaDiante do ocorrido, os jogadores do Albion decidiram não se calar. Nesta sexta, divulgaram uma carta repudiando não apenas as ofensas sofridas, mas também se contrapondo ao preconceito nos estádios de futebol. “Criticamos e repudiamos profundamente qualquer tipo de violência, seja esta física ou verbal. Nosso compromisso é denunciar e não ser parte de discriminações e/ou expressões de superioridade de umas pessoas sobre outras”, escreveu o elenco. Todos os jogadores assinaram o manifesto. Postura raríssima de se notar na modalidade, especialmente pelo engajamento coletivo.

Entre os titulares do Albion está o lateral esquerdo Steve José Hillman. O camaronês saiu de seu país há oito anos para tentar a sorte no futebol uruguaio e cumprir o sonho de se tornar jogador profissional. Hoje aos 24, além de ser atleta do Albion, também divide o seu tempo como professor de danças africanas. “Se você luta, pode perder. Mas se não luta, está perdido”, declarou, em recente entrevista ao site uruguaio Referí, contando a sua trajetória e a chegada ao Uruguai.

Além disso, outro nome que se sobressai no elenco do Albion é Agustín Lucas. O zagueiro, rodado por clubes médios e pequenos do país, é conhecido como uma voz ativa na luta pelos direitos dos jogadores e por integrar os esportistas nas discussões sobre questões políticas. “O jogador é mais um ator na cidade. Tem suas particularidades como o advogado, o mendigo e o taxista. Às vezes não se dá conta da força social que pode vir a ter, mas me parece que é uma questão de educação. Faltam docentes no futebol”, afirmou em 2014, durante entrevista à Trivela. O defensor ainda idealizou a produção de um livro de contos literários produzido por futebolistas e liderou um protesto contra o descaso dos dirigentes há um ano, quando atuava pelo Miramar Missiones.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 2014 e 2015, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: Trivela

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