Jogadora fala sobre dificuldades de se manter no esporte em Goiás

Além do preconceito, Lorraynne, que joga desde os 11 anos e tem o sonho de ir para o exterior, reclama da falta de patrocínio.

O Diário de Aparecida recebeu, na tarde de ontem, a visita da atleta Lorraynne Macedo Silva, de 20 anos, que nos contou um pouco de sua trajetória no futebol feminino. Mesmo não sendo nada fácil para uma mulher se manter nesta profissão, a jovem destacou o quanto ama o que faz e que isso sempre a motiva a seguir em frente. Além do preconceito, há também, segundo ela, as dificuldades em relação a patrocínio, visibilidade e, acima de tudo, a renda – até porque não tem como um atleta se dedicar ao máximo se não há como se manter.

Lorraynne começou aos 11 anos e desde então passou por diversos clubes goianos em busca da realização de seu sonho. Estreou em uma escolinha localizada no Jardim Tiradentes, em Aparecida de Goiânia. A partir daí, ela atuou pelo Roma, Goiânia e teve uma breve passagem pelo Goiás Esporte Clube, onde teve que jogar contra meninos, pois não havia time feminino. Nesse meio tempo, a atleta recebeu uma proposta para jogar em um clube no Estado de São Paulo, o Centro Olímpico, onde ficou por três anos.

Foi aí que tudo aconteceu. Lorraynne recebeu oito convocações pela categoria Sub 17 e mais cinco pela Sub 20 na seleção brasileira feminina. “Foi uma experiência mágica, a melhor da minha vida. Um sonho”, enfatizou. De acordo com a jovem, quando ela estava no auge da carreira, prestes a ir para fora do País, sofreu duas lesões no joelho e precisou ficar afastada dos campos por cerca de dois anos.

Mas a atleta não se deu por vencida e, em abril do ano passado, voltou aos gramados e jogou o Campeonato Brasileiro pelo clube Aliança, onde ficou por quatro anos. Atualmente Lorraynne está no Universo Jaó. Ela ainda se recupera aos poucos da lesão, mas ressalta que quando estiver pronta deve tentar mais uma vez uma chance fora do Brasil.

Desafios

A atleta declarou que as mulheres não têm muitas chances em Goiás, como também fora do Estado. Segundo ela, quando atuou em São Paulo pôde perceber que sua profissão era bem mais valorizada do que é atualmente. Aqui ela apenas recebe a bolsa atleta, no valor de R$ 500, e, às vezes, alguma ajuda com chuteiras e outros componentes dos uniformes. “Alguns clubes também oferecem uma bolsa de estudos para quem quiser cursar uma faculdade”, diz a jovem.

Além disso, Lorraynne sofreu preconceito, principalmente quando precisou jogar com meninos. “Sempre tem um certo preconceito quando se é mulher. Eles não tocavam a bola para mim e ainda diziam e acreditavam que eu não daria conta.”

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui.

Fonte: Diário de Aparecida

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