Inspirada em Muricy: conheça a única mulher que comanda um time masculino na elite do Brasileiro

Nivia Bizerra é técnica do time sub-12 da Chapecoense Divulgação/Chapecoense

Entre os times que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro, apenas um deles tem uma mulher como técnica de uma de suas equipes masculinas de futebol de campo, ao menos na base: a Chapecoense. Ela é Nivia Maria Bezerra de Lima, tem 36 anos e comanda os meninos da categoria sub-12 do clube catarinense desde o início do ano passado.

“Por parte das crianças, nunca sofri preconceito; o gênero é o que menos importa para eles. Mas precisei provar para os pais que eu era capaz. Alguns chegaram a ir até meu chefe questionar minha contratação. O impacto de ver uma mulher à beira do campo foi um choque. Isso durou um ano. Mas foram me conhecendo e, hoje, é tranquilo. Para mim, é um orgulho e agradeço à Chapecoense. Ensinar e trabalhar com esporte era meu sonho”, contou ao espnW.

Nívia nasceu em Recife (PE) e lá começou a jogar futebol, no Sport. Alternando entre fustal e campo, defendeu o São Paulo e foi para o Paraná, convidada para defender o Unopar/Londrina, na quadra. Nessa época, entre 2004 e 2010, se formou na faculdade de Educação Física. No ano seguinte, recebeu outro convite, o que mudaria sua trajetória: foi a Chapecó defender a camisa da Chapecoense.

Ela é ex-jogadora e assumiu o posto no ano passado Arquivo pessoal

Enquanto jogava, começou a trabalhar nas escolinhas da Associação Female Futsal (projeto em parceria com a prefeitura), dando aula no futebol feminino para meninas de 13 e 14 anos. Foi então que descobriu sua vocação, desistiu da carreira de atleta e se tornou técnica nas escolinhas da Chapecoense. Na época, o clube de Santa Catarina estava na Série C do Brasileiro e só tinha base a partir do sub-17.

O cenário começou a mudar em 2014, quando disputou a Série A do nacional pela primeira vez. Com mais dinheiro entrando, a Chapecoense conseguiu aumentar suas categorias de base no ano passado, e Nivia foi convidada para assumir o posto de técnica da equipe sub-12 e auxiliar técnica da sub-13. Em seu primeiro ano de existência, os meninos comandados por ela chegaram às semifinais da BG Prime, tradicional competição do Sul do País que reúne expoentes como Internacional e Grêmio.

A pernambucana se destaca até mesmo no clube catarinense. É a única mulher que trabalha com futebol por lá, diretamente no campo – há outras em cargo com de nutricionista dos atletas. Sua comissão técnica é formada inteiramente por homens porque não foi ela que escolheu quem trabalharia ao seu lado. Sua inspiração? Muricy Ramalho, que até já enviou um vídeo para ela.

“Pelo trabalho, pelas coisas que ele fala. É um cara sincero e muito correto. Como ele diz, ‘não conquistamos nada sem trabalho.’ Gosto da forma como ele lida com os atletas. Me espelho nele, como profissional e ser humano.”

Seu sonho? Conseguir igualdade também fora da base. “Quero fazer o curso técnico da CBF neste ano. Meu objetivo é chegar à uma equipe principal no futebol masculino e à seleção brasileira feminina, para retribuir o que o futebol feminino me deu, ajudando a modalidade a crescer. Por que não? Precisamos mostrar que somos capazes.”

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: ESPN

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