O Juventude foi o primeiro clube brasileiro punido por racismo

O Juventude foi o primeiro clube brasileiro punido por racismo

O Juventude foi o primeiro clube brasileiro punido por racismo. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), em decisão unânime, aplicou multa de R$ 200 mil e tirou o mando de campo de duas partidas da equipe de Caxias do Sul.

Denunciado pelo árbitro mineiro Alicio Pena Júnior, que apitou a partida contra o Internacional no dia 22 de outubro de 2005, no Alfredo Jaconi, o Juventude foi penalizado pelos atos de sua torcida. Conforme relatou o árbitro em sua súmula, a torcida local ‘imitava um macaco todas as vezes” que Tinga, volante do Inter, tocava na bola.

A procuradoria do STJD denunciou o Juventude no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), o que poderia acarretar em pena de até três jogos. A defesa do clube gaúcho tentou amenizar a punição com dois argumentos principais.

Segundo os advogados de defesa, a torcida do Inter costuma usar máscaras de macacos, por isso a provocação. A tese caiu, porém, porque segundo relatos, a torcida do Juventude só fazia os barulhos quando Tinga pegava na bola.

Além disso, a diretoria do time de Caxias tentou conter as ofensas pedindo, nos auto-falantes do estádio, para a torcida evitar as provocações racistas. O fato, porém, não foi citado pelo árbitro do jogo na súmula.

Após a defesa, o relator do processo, Marcos Henrique Pinto Basílio, pediu dois jogos e a multa de R$ 200 mil, citando outro acusação de racismo, ocorrida na partida entre Palmeiras e Flamengo, em São Paulo. O meia Renato, do time rubro-negro, acusou torcedores palmeirenses de comportamento semelhante aos do Juventude.

“Para azar do Juventude, o que aconteceu ontem mostrou que está evoluindo esse problema. Temos que ter uma punição exemplar. Senão, isso ficará incontrolável nos estádios. Tenho certeza que no próximo jogo, o primeiro que imitar macaco será denunciado pelos torcedores e será preso”, afirmou.

Justamente pelo fato de se usar o Juventude como exemplo, o presidente do clube gaúcho, Walter Dalzotto Júnior, acredita que a punição já havia sido decidida muito antes do julgamento.

fonte: Uol Esportes