Chute no preconceito: primeiro time gay de Goiânia busca combate à homofobia

Equipe é criada com objetivo de inclusão no esporte mais popular do País. Presidente faz planos de ter time feminino e de outras modalidades.

Em campo soçaite no Parque Amazônia, 14 jogadores do Barbies FC, que tem 27 atletas, se reúnem para treinar e jogar. Jostter Marinho, à frente, é o presidente do time gay de Goiânia

Goiânia ganhou mais uma equipe de futebol amador. Possui 27 jogadores, diretoria, comissão técnica e torcedores por todos os lados da capital. A diferença do Barbie Futebol Clube não é a forma como os atletas finalizam a gol ou celebram a cada tento marcado. A luta de Jostter Marinho, Rodrigo Fernandes, Alex Moraes, Pedro Lima e outros é para mostrar que gay também pode jogar futebol.

O projeto surgiu há quatro meses, quando, em todo Brasil, diversos times gays de futebol foram criados. Um dos objetivos é provar que o principal esporte do País pode ser disputado por todos, independentemente da cor, classe social ou orientação sexual. A equipe não possui fins lucrativos e tem como missão a inclusão dos homossexuais no esporte.

“Os gays não se uniam para jogar futebol por causa da discriminação. Nos sentíamos menosprezados. Ao verem a possibilidade de jogar em um time 100% gay, todos passaram a apoiar e abraçar a ideia”, conta um dos fundadores, presidente e zagueiro do time, Jostter Marinho.

A união prevalece na equipe, assim como a alegria e o fair play. “Grosseria, brutalidade, felizmente não existem com times gays. Tem as disputas, mas a lealdade, união, inclusão, força de vontade dentro de campo são lemas. Não aceitamos jogar contra times que possuem preconceito”, explica Jostter, estudante de 26 anos.

O grupo de 27 jogadores da equipe goiana é, como a capital, formado por personagens de diferentes lugares do Estado e País. Além do goianiense Jostter, fazem parte do Barbie FC, o mineiro Rodrigo Fernandes, o anapolino Pedro Lima e o teresinense Alex Moraes.

O craque não veste a 10, mas sim a 6. “Encaro como um desafio, busco dar confiança para meus colegas de time e chamar a responsabilidade. Ser o maestro do time é demonstrar que posso passar confiança aos meus colegas”, frisa Alex Moraes, meia de 29 anos.

Já o artilheiro é o meia de criação, que sonhava em ser jogador profissional, mas desistiu da ideia porque outras metas surgiram na sua vida. “Muitos gays deixam de jogar em algum momento por intolerância, bullying ou homofobia. A maior lição que podemos mostrar para a sociedade é de que não é o que você faz que te define. É preciso lutar pela inclusão no esporte, acabar com qualquer tipo de preconceito que existe”, opina Pedro Lima, estudante de 21 anos.

Todos estão sob comando rígido e de respeito ao esquema tático. “Minha filosofia de jogo é ter velocidade e intensidade. Marcar com pressão e não deixar o adversário respirar, sempre com toques rápidos e posse de bola”, explica o auxiliar Rodrigo Dias, de 23 anos, que, antes de ser da comissão técnica, jogou nas bases de Goiânia, Goiás, Trindade, Ovel e Vila Nova.

Para vencer o tabu no esporte, o Barbie FC acredita que levará tempo. Ainda que levantem a bandeira da inclusão, alguns atletas e pessoas ligadas ao time não se sentiram confortáveis para serem identificados nesta reportagem, com medo da exposição. Além disso, a equipe já preferiu mudar seu local de treinos por causa do constrangimento causado pelo preconceito de um frequentador.

Os jogadores não vão desistir. Presidente da equipe, Jostter reconhece que existem mais homens héteros do que gays apaixonados por futebol. Um dos motivos da disparidade é o fato de os gays serem afastados da prática esportiva. “Por isso, quero crescer no futuro. Já mostramos para vários times héteros que podemos jogar contra. Minha intenção é criar equipe feminina e em outros esportes, ter um plano de crescimento para os gays no esporte”, salienta o jogador goiano.

Levantar a bandeira da equipe e do movimento são os planos do Barbie FC para o futuro. Treinando duas vezes na semana e realizando amistosos, a equipe goiana se prepara para entrar no circuito nacional. Em novembro, tentará participar da 3ª edição da Champions LiGay, que deve receber 16 clubes de todo a País.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui.

Fonte: O Popular

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