Brasileiro supera lesão e racismo para virar herói e projeta enfrentar o Real Madrid

Herói do título continental, Rafael Silva tem mais dois anos de contrato com o Urawa Reds (Foto: Reprodução / Instagram)

A última semana do atacante Rafael Silva, do Urawa Reds, não foi qualquer coisa. Após garantir o empate fora de casa com o Al Hilal no primeiro jogo da final da Liga dos Campeões da Ásia, ele ainda enfrentou duas lesões e ataques racistas da torcida adversária até dar o título continental ao time janponês. No último sábado, o jogador revelado pelo Coritiba fez o gol do triunfo por 1 a 0 que valeu o bi para o Urawa – assim como a vaga no Mundial de Clubes em dezembro. Nos Emirados Árabes, o jogador de 25 anos que até outro dia jogava com os amigos nos campos de terra em São Paulo terá a chance de enfrentar Cristiano Ronaldo e companhia.

– O meu objetivo é poder representar o Japão. Depois que acabou o jogo já comecei a pesquisar (sobre o Mundial). Vi que podemos enfrentá-los na segunda rodada. É uma coisa que começa a passar na cabeça – disse o atacantem em entrevista por telefone.

– É um sonho. Nunca imaginei… Esses dias estava jogando bola com meus amigos na rua e agora terei essa oportunidade… Poder competir com eles. Se eu trocar a camisa com o roupeiro, já vai estar de bom tamanho… – completa.

Dois nove gols de Rafael da Silva na Champions da Ásia, dois foram na decisão que decidiram o título para o Urawa Red (Foto: AFP)

Para colocar o Urawa no Mundial, Rafael Silva encarou uma semana bastante tensa. Tanto é que a primeira entrevista após o título continental foi em tom de desabafo: “pouca gente sabe o que passei”, disse, ainda no gramado. Com duas lesões, uma no joelho e outra no tornozelo, precisou tomar injeções para jogar a final da volta, em Saitama. Além disso, viu seu perfil ser invadido por torcedores do time saudita com ataques racistas.

– Nessa semana aconteceu muita coisa. No primeiro jogo, torci o joelho e o tornozelo ao mesmo tempo. Passei a semana inteira tratando. Não conseguia nem dar trote para conseguir jogar. Também teve aquela coisa do racismo. O foco fui eu – disse o jogador, que completou.

– Os torcedores deles me xingando, colocando foto de macaco. Escrevendo em árabe e inglês, comentando nas minhas postagens. Para ter ideia, tinha foto tinha mais comentário do que curtida. Mas isso não mexeu comigo. O que estava preocupado mesmo era com a lesão. Estava limitado. Por isso, desabafei.

Nascido e criado em São Paulo, Rafael Silva viveu em Curitiba, Lugano (Suíça), Niigata e agora Saitama (essas últimas no Japão). Ele diz que foi a primeira vez que teve que conviver com ataques racistas ao longo da carreira. Como resposta, postou uma foto comendo banana. Prova de que encarou, dentro do possível, na esportiva.

– Comigo não mexeu. Bloqueei tudo. Depois do primeiro jogo postei vídeo com gol e foi quando eles começaram a comentar. O que mexeu mais foi com a família e amigos. Foi muita gente mesmo. Todo o povo lá da Arábia provocando. Depois do jogo de ontem foi que comecei a responder. Não de forma ofensiva, mas na descontração, na zoeira. Depois parou e estão dando os parabéns – que diz não ter visto nenhum tipo de ato racista no Japão.

No Japão, Rafael Silva atuou ao lado de um possível adversário nos Emirados Árabes. Há um ano, ele era companheiro de Cortês no Albirex Niigata e agora tem chances de reencontrar o lateral do Grêmio no Mundial. Mas, para isso, precisa chegar à final (assim como o clube gaúcho). No caminho, estarão Al-Jazira (Emirados Árabes) ou Auckland City (Nova Zelândia) nas quartas de final e Real Madrid na semifinal.

– Estou na torcida pelo Grêmio, que tem o Cortez. Depois do título, ele me mandou mensagem dando os parabéns. Vamos ver agora se podemos nos encontrar lá. Incrível, um ano depois, ter a chance de se reencontrar num campeonato desse nível.

O atacante chegou em 2014 ao Japão e diz que já quase se sente um local. Inclusive, até se arrisca no idioma. Vice-artilheiro da Liga dos Campeões da Ásia ao lado de Hulk, ambos com nove gols, ele tem mais dois anos de contrato com o Urawa e não tem planos de voltar ao Brasil neste momento.

– Voltar para o Brasil não está nos meus planos. Tenho mais dois anos de contrato. Vamos ver depois do Mundial. Por enquanto, tenho mais dois anos no Urawa. Por enquanto, estou feliz aí. Agora está todo mundo feliz. O objetivo maior agora é a J League – completou o atacante, que atuou na base do Corinthians antes de ir para o Coritiba.

Artilheiros da Champions da Ásia

Omar Kharbin (Al-Hilal) – 10 gols

Rafael Silva (Urawa Red) – 9 gols

Hulk (Shanghai SIPG) – 9 gols

Omar Abdulrahman (Al-Ain) – 7 gols

Alan (Guangzhou Evergrande) – 7 gols

Carlos Eduardo (Al-Hilal) – 7 gols

Ricardo Goulart (Guangzhou Evergrande) – 7 gols

Mehdi Taremi (Persepolis) – 7 gols

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: GloboEsporte

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