Bibiana Bolson, jornalista da ESPN, prepara livro sobre o racismo no futebol

Reprodução/Twitter

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Quantas vezes você foi a um estádio e já ouviu xingamentos de cunho racista? Infelizmente esta realidade “comum” durante as partidas de futebol. Por esta razão, Bibiana Bolson, jornalista da ESPN, resolveu abordar o assunto em livro previsto para sair ainda este ano.

“Eu comecei pesquisando a participação do negro nas partidas de futebol e procurei dois exemplos para analisar”, explica Bibiana sobre o início do projeto, que surgiu como parte de seu trabalho de conclusão do mestrado. “Então me deparei com o caso do Grafite e Desabato, de 2005, e o caso Aranha, em 2014”.

Para relembrar as situações:

Durante a primeira fase da Copa Libertadores de 2005, o atacante Grafite acusou o argentino Leandro Desábato de racismo, após ter sido chamado de “macaco” pelo zagueiro. Desábato ficou preso por dois dias, em São Paulo, pelo episódio que é considerado o primeiro caso de racismo de maior impacto.

Nove anos após o caso, aconteceu uma situação semelhante, desta vez com Aranha. Durante a partida contra o Grêmio, o goleiro do Santos reclamou com o árbitro alegando ter recebido xingamentos da torcida do outro time. Neste momento, a câmera flagra a torcedora Patrícia Moreira gritando “macaco”. A repercussão do caso foi tamanha, gerando punições para o time do Grêmio, que foi banido da competição daquele ano.

“É importante reforçar que essa ‘cultura’ do racismo não é correta”, conta a jornalista. Além de analisar como estes episódios foram abordados pela mídia, ela também observou o comportamento das pessoas nas redes sociais e observou que o machismo também dava as caras. “Dentre os principais xingamentos dirigidos à Patrícia, a frase ‘vou te estuprar’ aparecia muitas vezes”.

Com o objetivo de expor a realidade do racismo, Bibiana ainda discute o papel do jornalista e sua responsabilidade. “Com frequência achamos que o preconceito é natural, mas através de números consigo provar que não é e que, sempre que surgirem estas situações, temos que noticiar”, diz sobre seu livro. “Precisamos mostrar que o racismo não é cultural, é crime”, finaliza ela.

O livro reúne pesquisas, trajetórias e contextualização, propondo uma nova legislação para punição nestes casos e o acompanhamento do dever do jornalista. Mesmo sem data de lançamento oficial nem título definido, já aguardamos ansiosamente sua publicação e repercussão sobre esse assunto que sempre merece ser discutido.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 2014 e 2015, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: EspnW

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