Atleta acima do peso ‘quebra padrões’ nas quadras e se destaca no vôlei e no futsal

Dalila Silva, 26 anos, é levantadora do Plácido de Castro na disputa do Acreano de Vôlei Feminino. Ela supera preconceito e além do vôlei, atua como goleira em um time de futsal, no interior

Dalila Silva, 26 anos, é um dos destaques do Plácido de Castro na disputa do Campeonato Acreano de Vôlei Feminino. Considerada por muitos acima do peso ideal para atletas, ela superou o preconceito, ao ‘quebrar padrões’ e mostrar muito potencial dentro das quadras. A levantadora joga desde os 13 anos. Além do vôlei, o esporte também está presente em sua vida em outra modalidade. Ela tem um time de futsal, no qual atua como goleira.

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– Devido eu ser assim gorda, pessoas olham e dizem “o que essa mulher faz aí no meio”, mas quando veem meu jogo, se surpreendem, passam a respeitar mais, olhar de forma diferente. Nunca desisti. Quando fizeram esse time em Plácido, queriam me deixar, para ir outra levantadora. Achavam que por ser gorda, não conseguiria, mas também havia quem dizia “não acredito que vão deixar Dalila de fora, ela joga muito bem e se esforça muito – lembra.

Dalila Silva, no centro, é levantadora do time de vôlei de Plácido de Castro (Foto: Arquivo pessoal)

A atleta explica que ganhou peso após a gravidez do filho, de oito anos e desde então vive em ‘guerra’ com a balança, mas graças ao esporte, esbanja saúde e agilidade dentro de quadra. Ela conta que sofreu muito preconceito em relação ao seu peso, mas persistente e focada, continuou treinando e enfrentando os olhares ‘tortos’. Apesar do sofrimento, Dalila provou que não é necessário se adequar aos padrões para se sobressair dentro de quadra e após muito treino e dedicação, é considerada uma das ‘joias’ do clube.

– Sofri muito. Muitos tornavam tudo difícil, fizeram de tudo para que eu desistisse. Me botavam para baixo, até começo de depressão tive. Todos os dias voltava do treino chorando. Entrava passe quebrado, tinha que buscar bola longe, ninguém facilitava. Quando começou a Copa Cidade, no primeiro jogo me deixaram fora, mas no segundo fui escalada e quando entrei na quadra, todo mundo gritando meu nome, foi emocionante – destaca.

Além do vôlei, o esporte também está presente em sua vida em outra modalidade. Ela tem um time de futsal, no qual atua como goleira. (Foto: Arquivo pessoal)

Em conversa com o GloboEsporte.com, Dalila disse estar animada com a oportunidade de falar e motivar outros atletas que passam por situações semelhantes a nunca desistirem do sonho no esporte. Ela não esconde o desejo por mudanças físicas, mas destaca que cada um tem seu potencial, independente dos padrões impostos.

– Eu chego pra jogar lá na AABB e tenho respeito das outras meninas. Eu não abaixo mais minha cabeça. Estão me vendo com outros olhos agora. Passaram a me respeitar pelo que faço dentro de quadra. Também sou goleira de futsal, tenho meu time. Jogo na área de dupla, quando tem competição também jogo campo. Eu não era assim, me desleixei por conta da gravidez. Meu sonho é emagrecer, se eu pudesse, mas é muito difícil – finaliza.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: Globo Esporte

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