Argentina bane por 2 anos autores de vídeos machistas feitos durante a Copa da Rússia

O Ministério de Segurança da Argentina proibiu a entrada em qualquer evento futebolístico durante dois anos de quatro torcedores que gravaram vídeos machistas e racistas na Copa do Mundo da Rússia, segundo uma resolução publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da República Argentina. Não se tem notícia de alguma punição aos torcedores brasileiros que também divulgaram vídeos machistas e com assédio às mulheres russas durante o Mundial.

Três deles são os torcedores que, em seus vídeos, forçavam jovens mulheres russas a repetir termos chulos e de cunho sexual em espanhol, sem elas saberem o significado do que diziam, enquanto o quarto caso é o de um homem que gravou um vídeo com um cidadão árabe a quem fez repetir uma frase com referências ao terrorismo.

Os vídeos causaram polêmica quando foram divulgados em junho, durante a Copa, ao serem reproduzidos pelos meios de comunicação argentinos e de outros países, que criticaram a atuação de tais torcedores, a exemplo do que aconteceu com alguns torcedores brasileiros.

Agora, a Direção Geral de Assuntos Jurídicos do Ministério de Segurança decidiu intervir com a medida que afastará durante 24 meses dos estádios de futebol argentinos os autores dos vídeos, identificados como Néstor Pinovi, Claudio Fitterer, Marcelo Génova e Juan Pablo Olguín.

A proibição foi possível graças ao fato de que, no Mundial, houve um convênio de colaboração e assistência entre as autoridades russas responsáveis pela segurança pública e vários organismos policiais argentinos.

A resolução faz referência ao fato de que a conduta de Pinovi é “sexista e desonesta” quando humilha uma menor de idade russa e a faz repetir palavras obscenas e ofensivas enquanto se aproveita da barreira idiomática entre ambos.

“Contradiz o decoro e o respeito que deve sobressair quando um cidadão visita um país estrangeiro”, afirma o texto, que também ressalta que os conteúdos dos quatro vídeos se tornaram virais e geraram “repúdio generalizado” em nível internacional.

As imagens de Fitterer e Génova são de conteúdo similar, embora em seus casos as mulheres das quais zombavam nos vídeos fossem adultas.

Por sua parte, Olguín gravou um vídeo com uma pessoa que usava um turbante árabe, a quem faz com que peça uma “bomba” para a cidade argentina de Naschel, perto da do próprio Olguín, Papagayos, na província de San Luis.

Os quatro homens passarão a fazer parte do Registro Nacional de Pessoas com Direito de Admissão a Espetáculos Futebolísticos e serão privados de tal direito.

Além disso, o Ministério não aceitou as desculpas que todos eles pronunciaram então porque “não resultam satisfatórias nem idôneas para escusar o preconceituoso comportamento”.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 20142015 e 2016, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui.

Fonte: Chuteira FC/EFE

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