Animada após o Mundial, melhor velocista do Brasil vai ‘virar’ motorista para bancar ida aos EUA

Rosângela Santos, a mulher sul-americana mais rápido do mundo Foto: Guilherme Taboada/Divulgação/A / Guilherme Taboada/Divulgação

Rosângela Santos vive numa montanha russa desde 2016. São altos e baixos. Foi do papelão nos Jogos Olímpicos, quando sequer chegou à final dos 100m, à consagração no Mundial de Londres-2017, com quebra do recorde sul-americano e marca histórica. Os 10s91 a tonou a primeira do continente a vencer a barreira dos 11 segundos e a primeira brasileira a chegar numa final de Mundial. Seu tempo é o nono melhor do ano, segundo ranking da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF). Fora das pistas, perdeu patrocínios e seus rendimentos foram lá para baixo, caíram cerca de 70%. Sem dinheiro para se bancar em Houston, nos Estados Unidos, ela vai trabalhar como motorista de Uber a partir de novembro. E não vê a hora de pegar o embalo para subir novamente.

— Eu tive depressão. Achava que não existia saída e teria de voltar para o Brasil. Dizem que dinheiro não traz felicidade, mas não conseguimos fazer nada sem. Pagar conta, comer, precisamos para quase tudo — observa Rosângela, que há uma semana disputou o Desafio Mano a Mano, no Jockey Club, no Rio, e ganhou cachê. — Quitei um empréstimo e paguei o cartão de credito. Agora falta outro cartão, condomínio… Vou empurrando e pago o que dá. Minha tia Graça passava três semanas com R$ 100. Se precisar como ovo todo dia — avisou.

Após os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, trocou de técnico e cidade. Saiu de Miami, onde tinha acompanhamento custeado pelo COB, e foi para Houston, atrás de Eric Francis. E agora tem de pagá-lo.

— Pagar é modo de dizer porque também devo a ele. Tenho custos lá e minha família para ajudar no Brasil — lembra a atleta do Clube Pinheiros e do Exército e que manteve o Bolsa Atleta e Pódio, além de patrocínio da Nike.

            Reviravolta e sonhos dentro e fora da pista

Como a conta bancária não fechava, a velocista cogitou fazer limpeza e lançou um crowdfunding no “Kickante” para arrecadar R$ 60 mil e bancar seus treinos. Resultado: não chegou nem perto da cifra. Então, pensou em largar o atletismo.

— Só não larguei por causa do meu avô, Orozimbo, de 95 anos, e minha tia Graça, de 67. Ele não quer que eu saia do Exército. E ela, porque sempre esteve comigo. Quando eu era pequena, levava comida para eu me alimentar no trem a caminho do treino. — explica a atleta.

Assim, Rosângela se permitiu tentar por mais um ano. Se não desse certo, abraçaria a aposentadoria.

— Mas aí veio os 10s91! Reviravolta completa. Agora quero abaixar de 22 segundos meus 200m. Tenho outras metas e vou até 2020 — fala a velocista, que adiou ao menos uma grande realização. — Quero ser mãe.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 2014 e 2015, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: Extra

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