A partir de agora, as seleções feminina e masculina da Noruega ganharão bonificações iguais

foto reprodução

A federação norueguesa de futebol anunciou um acordo inovador para as suas seleções nacionais. A partir de agora, as jogadoras da equipe feminina receberão bonificações iguais às pagas aos jogadores da equipe masculina. A igualdade inédita neste nível internacional ocorre depois que os homens reconheceram as demandas das mulheres e aceitaram reduzir o valor de seus prêmios na seleção, o que praticamente dobrou os ganhos do time feminino. O dinheiro é relativo às atividades comerciais realizadas pela federação com o uso da imagem de seus atletas.

“A Noruega é um país onde a igualdade é muito importante para nós, então penso que isto será bom tanto para o país quanto para o esporte”, declarou Joachim Walltin, representante da união nacional de futebolistas, à agência Reuters. “O sentimento de serem realmente respeitadas é importante para elas. A federação pode ver isso como um investimento para melhorar o nível da seleção feminina”. O anúncio surge em um momento no qual o debate sobre a disparidade de direitos às jogadoras permeia diversas seleções nacionais – inclusive a brasileira, com veteranas publicando uma carta aberta cobrando a CBF por melhores condições.

A novidade também foi comemorada pelas próprias jogadoras da seleção. “Isso talvez seja algo pequeno para vocês fazerem por nós. Isso talvez não seja sentido em seus salários mensais. Isso talvez fosse uma decisão óbvia a se tomar. Mas isso significa tudo para nós! Para nosso time! Para nosso esporte! Vocês dizerem que o pagamento igual é o correto me faz querer chorar e abraçar a todos. Obrigado aos jogadores da seleção masculina por darem este passo pelas atletas. Por mostrarem igualdade e ajudarem nós todas a perseguirem nossos sonhos, tornando isso um pouco mais fácil. Por torná-los realidade!”, escreveu em suas redes sociais Caroline Graham Hansen, uma das principais estrelas da Noruega.

Capitão do time masculino, o meio-campista Stefan Johansen reafirmou a posição de seu grupo, destacando que isso nada tem a ver com os resultados: “É um novo acordo em que pegamos parte do nosso bolo e damos à seleção feminina. As mulheres ganham bem menos do que nós, então achamos que é o correto fazer isso. Somos privilegiados, não foi difícil dizer sim. Há diferenças gigantes e espero que isso possa ajudar. É a maneira como deve ser feito, acredito que devemos ser tratados iguais. Queremos que o futebol norueguês avance, a seleção feminina é tão importante quanto a nossa. Não jogamos na seleção por dinheiro”.

Enquanto os jogadores do masculino devem receber o dinheiro anualmente, as atletas do feminino poderão pegar suas bonificações mensalmente, conforme o número de convocações. Uma ajuda notável, considerando a condição semi-profissional de boa parte delas. Campeã mundial em 1995 e olímpica em 2000, a seleção feminina da Noruega chegou às oitavas de final na última Copa do Mundo. Ausente das Olimpíadas, caiu na primeira fase na Euro 2017. Já o elenco masculino não tem mais chances de se classificar ao Mundial de 2018.

Acesse e leia nossos “Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol” 2014 e 2015, com os casos de preconceito e discriminação no esporte brasileiro aqui

Fonte: Trivela

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